José Hítalo de Moraes Vieira da Silva
Mestrado e Doutorado em Nutrição Humana
VULNERABILIDADE MULTIDIMENSIONAL E SEUS FATORES ASSOCIADOS EM PESSOAS IDOSAS DAS COMUNIDADES INDÍGENAS NO ESTADO DE ALAGOAS
Resumo
A vulnerabilidade multidimensional da pessoa idosa é um problema comum, especialmente em populações expostas a iniquidades sociais, a exemplo dos povos originários do Brasil. Este estudo objetivou identificar a prevalência da vulnerabilidade multidimensional e investigar sua associação com o perfil antropométrico, as condições de saúde e os fatores socioeconômicos, ambientais e demográficos de idosos indígenas em Alagoas. Trata-se de um estudo transversal, de base populacional, com amostra probabilística representativa das pessoas idosas residentes nas comunidades indígenas alagoanas. Foi adotado no planejamento amostral uma prevalência de 50%, um universo 577 idosos residentes em territórios indígenas em Alagoas, um nível de significância de 5,0%, erro amostral de 3,2% e um intervalo com 95% de confiança. Para esses critérios seria necessária uma amostra de 357 idosos. A variável dependente foi a vulnerabilidade, definida pela ferramenta VES-13. Foi realizada análise bivariada para testar associações. As associações com p<0,2 foram submetidas a análise multivariável. Razões de prevalência (RP) e seus IC95% foram calculados por regressão de Poisson com ajuste robusto da variância. Associações significantes foram consideradas quando p<0,05. A amostra analisada foi de 362 participantes. A prevalência de vulnerabilidade foi de 43,4%. As variáveis que após análise ajustada se associaram à vulnerabilidade foram: sexo feminino (RP=1,57; IC95%: 1,23-2,00); faixa etária de 75 a 84 anos (RP=2,15; IC95%: 1,71–2,70) e ≥85 anos (RP=3,34; IC95%: 2,73–4,09). Observou-se ainda associação estatisticamente significativa com o medo de cair, deixando de fazer as atividades diárias (RP=2,89; IC95%: 1,86-4,47) e medo de cair, sem deixar de fazer as atividades diárias (RP=1,66; IC95%: 1,06-2,60). O consumo de bebida alcoólica apresentou associação com menor prevalência de vulnerabilidade (RP=0,52; IC95%: 0,30–0,91). Além disso, a prática de atividade física mostrou-se um fator de proteção (RP=0,59; IC95%: 0,43–0,82), A prevalência de vulnerabilidade se apresentou de forma elevada e associada a diversas variáveis: demográficas (sexo e faixa etária), condições de saúde (consumo de bebida alcoólica), relacionadas a capacidade funcional (medo de cair (com ou sem interrupção das atividades diárias), e estilo de vida (atividade física), demonstrando-se a complexidade do problema e evidenciando a necessidade de intervenções específicas que promovam a qualidade de vida para a pessoa idosa nas comunidades indígenas alagoanas.
