Influência do período alimentar e diéta hipocalórica sobre o perfil metabólico e composição corporal de mulheres com obesidade em vulnerabilidade social

Autora: Isabele Rejane de Oliveira Maranhão Pureza

Data da defesa: 06/09/2019

Banca examinadora:

  • Prof. Dr. Nassib Bezerra Bueno - presidente
  • Profª Drª Fabiana Andréa Moura - examinadora
  • Prof. Dr. João Araújo Barros Neto - examinador

Resumo geral:

Diante da prevalência de obesidade na população em vulnerabilidade social e a busca crescente por estratégias que facilitem adesão ao tratamento da obesidade, foi desenvolvida essa dissertação, a partir da realização de um ensaio clínico aleatório, no qual foram produzidos dois artigos de resultados. O primeiro artigo trata-se de um estudo observacional desenvolvido a partir dos dados da linha de base do ensaio clínico, intitulado como “Agreement between equations-estimated resting metabolic rate and indirect calorimetry-estimated resting metabolic rate in low-income obese women”, teve por objetivo determinar a equação preditiva da taxa metabólica de repouso que mostra a maior concordância com a taxa metabólica de repouso obtida por calorimetria indireta em mulheres brasileiras obesas que vivem em vulnerabilidade social. Dentre as equações analisadas, nenhuma estimou satisfatoriamente a taxa metabólica de repouso por calorimetria indireta, no entanto, a equação a de Harris-Benedict apresentou maior concordância e a de Henry-Rees maior precisão, as quais podem ser consideradas na ausência de equações específicas. O segundo artigo trata-se do ensaio clínico intitulado como “Acute effects of time-restricted feeding in low-income women with obesity submitted to hypoenergetic diets: randomized trial”, que tem como objetivo avaliar os efeitos agudos da restrição do período alimentar em mulheres com obesidade em vulnerabilidade social submetidas à dieta com um mesmo déficit energético. A perda de peso foi considerada como desfecho primário, enquanto os desfechos secundários envolviam: composição corporal (bioimpedância), sinais vitais (temperatura, pressão arterial e frequência cardíaca), apetite, dosagem de hormônios do eixo tireoidiano, leptina, insulina e glicemia, sendo estas últimas utilizadas para determinar sensibilidade a insulina, antes e após 21 dias de intervenção. Por ANOVA mista foram observadas interações significativas grupo x tempo apenas na temperatura axilar (-0,4°C; IC95% [-0,7 – -0,1]°C; p = 0,01) e no percentual de gordura corporal (0,75%; IC95% [0,0 – 1,4]%; p < 0,05), onde a restrição do período alimentar induziu a manutenção da temperatura axilar e à redução no percentual de gordura corporal em comparação a dieta hipoenergética, e pode ser considerada uma estratégia coadjuvante no tratamento da obesidade em mulheres em vulnerabilidade social. Diante do exposto, destacamos a dificuldade em determinar o gasto energético por meio de equações preditivas para população com obesidade e a relevância do presente estudo para auxiliar em intervenções nutricionais de forma eficiente. Assim como também consideramos que a restrição do período alimentar apresentou ser uma estratégia que pode contribuir para o tratamento da obesidade de mulheres em vulnerabilidade social ao contribuir no tratamento sem implicar em maiores custos pela inserção de novos alimentos que não correspondam ao padrão alimentar dessa população.

Palavras-chave: Obesidade. Peso corporal. Comportamento alimentar.

Trabalho completo em PDF.